Growing Up Christian

A liberdade religiosa é uma questão delicada em muitos países, mas na Arábia Saudita, a situação é ainda mais complexa. Este reino, conhecido como berço do Islã e da radicalização wahabista, abriga uma população de mais de 35 milhões de pessoas, entre as quais se encontram aproximadamente 2,3 milhões de cristãos, na sua maioria estrangeiros. O desafio para esses cristãos é monumental, especialmente porque igrejas são oficialmente proibidas no país.

A proibição de lugares de culto cristão significa que não existem igrejas, nem mesmo aquelas que poderiam ser consideradas como “igrejas de fachada”, como algumas que existem em países com regimes opressivos. Na Arábia Saudita, a resposta do governo é clara e direta: não há igrejas permitindo qualquer forma de reunião religiosa que não seja o Islã.

Para muitos cristãos vivendo no reino, essa realidade se traduz em uma vida de oração e adoração em particular. “Nós, cristãos estrangeiros, frequentemente nos reunimos nas casas uns dos outros para orar”, compartilha Nicolas, um cristão libanês que cresceu na Arábia Saudita. Essas reuniões podem incluir celebrações como festas de Natal, que, mesmo em sua privacidade, acabam atraindo a atenção de convidados não sauditas e muçulmanos.

Um aspecto importante a se considerar é a classe socioeconômica. Nicolas relata que sua família vivia em um compound, uma área residencial destinada a estrangeiros, onde a vigilância policial era menos intensa. Em contraste, aqueles que residem em áreas mais pobres e densamente habitadas, frequentemente compostas por imigrantes ilegais, enfrentam um risco maior de represálias durante reuniões religiosas. Nesses locais, é comum que os estrangeiros, especialmente aqueles provenientes da Etiópia ou das Filipinas, sejam alvo de ações policiais que muitas vezes levam à interrupção de atividades religiosas.

Apesar da falta de clareza nas leis sobre a prática do culto não muçulmano, Nicolas observa que os ataques a reuniões cristãs tornaram-se menos frequentes nas últimas décadas. Quando ocorrem, as justificativas apresentadas pelas autoridades geralmente não se concentram na religião, mas em questões como a mistura de gêneros ou a presença de imigrantes ilegais. “Regularmente, minha família e eu podíamos assistir à Missa no consulado de uma nação ocidental, que possui uma camada de proteção diplomática”, relata Nicolas. Os cultos eram oferecidos em segredo e exigiam pré-registro.

A experiência de Nicolas em relação aos cidadãos sauditas foi, em sua maioria, positiva. Ele descreve seus contatos com sauditas como agradáveis, embora tenha percebido que muitos deles assumiam que ele e outros estrangeiros eram muçulmanos. “Na maior parte do tempo, eles não se importavam quando descobriam que não éramos”, comenta.

Nicolas também menciona que viveu em Jeddah, a cidade mais liberal e cosmopolita do país, contrastando significativamente com a capital, Riade, onde as tradições são mais arraigadas e os valores conservadores, mais proeminentes. Para ele, apenas uma pequena fração dos sauditas nas áreas urbanas aprovaria atos de violência jihadista, indicando que tal extremismo tende a ser mais prevalente entre os segmentos mais empobrecidos e menos educados da população.

Os perigos que os cristãos enfrentam na Arábia Saudita não se limitam apenas à proibição de sua fé. Nicolas também destaca que muitos trabalhadores estrangeiros são explorados, e essa exploração é frequentemente baseada em raça, mais do que em religião. “Pessoas negras e do Sul da Ásia são as que mais sofrem”, afirma. Em contraste, os árabes do Golfo costumam receber tratamento preferencial.

A vida como cristão na Arábia Saudita é, portanto, um constante equilíbrio entre a fé e a necessidade de se adaptar a um ambiente hostil. A luta por liberdade religiosa continua, mesmo em um país que se recusa a reconhecer a existência de qualquer crença que não seja o Islã.

Posicionamento do Gospel News Brasil

O Gospel News Brasil se posiciona firmemente em defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos, independentemente da fé que cada indivíduo professa. A realidade enfrentada pelos cristãos na Arábia Saudita é uma lembrança da importância de lutarmos por um mundo onde todas as crenças possam ser praticadas livremente e onde a dignidade humana seja respeitada. Nossa missão é amplificar essas vozes e trazer à luz as histórias daqueles que, apesar das adversidades, mantêm sua fé viva e resiliente.

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FONTE PRINCIPAL: persecution.org

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