Polícia chinesa invade

Em um ato que chama atenção para as crescentes tensões em torno da liberdade religiosa na China, cerca de 60 policiais e agentes de fiscalização invadiram um culto da Early Rain Covenant Church (ERCC), uma das mais proeminentes igrejas domésticas do país. O incidente ocorreu na manhã de um domingo, 14 de junho de 2026, na província de Sichuan, em um hotel na cidade de Jiangyou, onde a congregação se reunia para seu culto dominical.

A incursão das autoridades foi repentina e marcada por uma abordagem intimidatória. Os fiéis, que buscavam um espaço seguro para adorar e praticar sua fé, se viram cercados por agentes que, em uma operação coordenada, registraram os dados de todos os presentes. Os membros da igreja foram forçados a embarcar em ônibus e viaturas para um centro de registro e detenção local. Entre os 33 cristãos detidos, estavam os renomados anciãos Yan Hong e Wu Wuqing, além de outros membros da congregação, como Liu Yingxu, Nie Bo, Li Benli e A Xin. A situação tornou-se ainda mais alarmante com a retirada de várias crianças que estavam presentes no culto.

A Early Rain Covenant Church, que já enfrentou diversas dificuldades em seu funcionamento devido às restrições impostas pelo governo chinês, emitiu um comunicado oficial após a operação. Nele, a igreja relatou que alguns dos detidos foram pressionados a assinar uma “carta de garantia” antes de serem liberados. Contudo, as autoridades se recusaram a revelar o conteúdo do documento, a menos que os indivíduos concordassem em assiná-lo. Essa prática levantou preocupações sobre a coerção e a falta de transparência nas ações das autoridades.

De acordo com informações da organização ChinaAid, a maioria dos membros da igreja se recusou a assinar o documento e optou por permanecer no local até que as autoridades os liberassem. Este processo se estendeu até as 18h, quando iniciou uma segunda rodada de coleta de informações de identificação pessoal. A situação só foi resolvida entre 21h e 23h, quando todos os detidos, exceto Yan Hong e Wu Wuqing, foram libertados. Entretanto, os dois líderes da igreja foram condenados a 15 e 14 dias de detenção administrativa, respectivamente, enquanto os demais fiéis puderam retornar a Chengdu, sua cidade de origem.

A operação realizada pela polícia é considerada uma escalada nas ações repressivas contra as igrejas domésticas protestantes na China, que já enfrentam anos de perseguição. A ChinaAid, uma organização internacional de direitos humanos, condenou a detenção de líderes religiosos, fiéis comuns e até mesmo crianças por participarem de um culto dominical, caracterizando a ação como uma grave violação da liberdade religiosa e dos direitos humanos fundamentais. Dr. Bob Fu, fundador e presidente da ChinaAid, expressou sua indignação, afirmando que situações como essa demonstram a urgência de uma maior proteção dos direitos humanos e das liberdades religiosas na China.

Este incidente não é um caso isolado, mas sim parte de uma tendência mais ampla de repressão à liberdade religiosa, que se intensificou nos últimos anos. O governo chinês tem adotado uma postura cada vez mais rigorosa em relação a grupos religiosos que não se alinham às suas diretrizes, levando muitos a praticarem sua fé em segredo e em condições de risco. A situação da ERCC é apenas uma das muitas que refletem os desafios enfrentados pelos cristãos e outras minorias religiosas no país.

Enquanto a comunidade internacional observa com preocupação, a necessidade de advocacy em defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa se torna ainda mais premente. O que ocorreu na ERCC é um lembrete sombrio de que, para muitos, a prática da fé ainda é marcada por ameaças e perseguições.

Posicionamento do Gospel News Brasil

No Gospel News Brasil, defendemos a liberdade religiosa como um direito fundamental que deve ser respeitado e protegido em todo o mundo. A repressão e a perseguição a fiéis, como evidenciado no caso da Early Rain Covenant Church, são inaceitáveis e devem ser condenadas. Promover a liberdade religiosa vai além de reconhecer a diversidade de crenças; é um compromisso com a dignidade humana e o respeito à consciência individual. Continuaremos a acompanhar de perto essa situação e a dar voz aos que lutam por seus direitos e pela liberdade de adorar.

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FONTE PRINCIPAL: www.cpadnews.com.br

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