A pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) entre 2022 e 2025 traz à tona nuances sobre a relação das mulheres evangélicas com o feminismo e os direitos das mulheres no Brasil. Com 63% das entrevistadas afirmando que é possível ser cristã e feminista ao mesmo tempo, os dados revelam uma transformação significativa na percepção desse grupo sobre questões de gênero e participação política. No entanto, a pesquisa também mostra que a maioria ainda não se considera parte do movimento feminista.
Contexto da pesquisa
O estudo “Mulheres evangélicas, política e cotidiano” foi realizado em um momento em que as discussões sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres ganham cada vez mais espaço no Brasil. O papel das mulheres na sociedade, especialmente aquelas inseridas em contextos religiosos, é um tema complexo, que envolve tanto convicções pessoais quanto a influência de doutrinas religiosas. As mulheres evangélicas, que representam um segmento significativo da população brasileira, frequentemente se encontram em uma encruzilhada entre suas crenças religiosas e a luta por seus direitos.
A pesquisa do ISER, realizada com um grupo qualitativo de mais de 180 mulheres em diversas regiões do país, busca entender essas dinâmicas e fornece um retrato das mudanças que ocorrem dentro desse segmento. Embora a amostra não represente estatisticamente todas as evangélicas brasileiras, as conclusões oferecem insights valiosos sobre as transformações em curso.
Desafios e percepções sobre direitos
Os dados da pesquisa indicam que, apesar de muitos desafios, as mulheres evangélicas reconhecem a desigualdade de direitos de gênero. Em torno de 64% das entrevistadas acreditam que as mulheres ainda possuem menos direitos que os homens na prática. Esse reconhecimento é acompanhado por uma consciência sobre as responsabilidades que muitas mulheres enfrentam no dia a dia. Por exemplo, 42% afirmaram sentir-se sobrecarregadas com as tarefas domésticas.
Além disso, a pesquisa mostra que 85% das participantes apoiam a necessidade de leis que protejam contra a violência doméstica, sinalizando uma preocupação com as questões de segurança e direitos que afetam diretamente suas vidas. Essa postura reflete uma combinação de valores conservadores com uma crescente preocupação social, desafiando estereótipos que comumente associam as mulheres evangélicas a uma resistência total a pautas feministas.
Aborto e acolhimento nas comunidades de fé
Quando o assunto é aborto, as respostas das entrevistadas mostram uma visão mais complexa. Embora 57% apoiem a interrupção da gravidez nas situações previstas pela legislação brasileira, a maioria — 71% — se posiciona contrária à ampliação do acesso ao aborto. Essa dualidade revela um dilema moral que permeia a vida dessas mulheres, muitas das quais buscam um espaço de acolhimento nas suas comunidades religiosas.
Surpreendentemente, 67% das mulheres afirmaram que aquelas que passaram por um aborto devem ser recebidas e acompanhadas pelas igrejas. Essa abertura para acolhimento pode indicar uma mudança na forma como as comunidades religiosas se relacionam com temas considerados tabu, como o aborto, e a necessidade de apoio emocional para mulheres que enfrentam essa realidade.
Fé e política: uma conexão ambígua
A pesquisa também investiga a interseção entre fé e política. Aproximadamente 51,1% das mulheres evangélicas acreditam que religião e política podem coexistir harmonicamente, enquanto 40% defendem uma separação clara entre as duas esferas. Este dado sugere que, apesar de uma proclamação de separação, a política ainda exerce uma influência significativa sobre as decisões e comportamentos das mulheres nas comunidades de fé.
No entanto, 64,4% das entrevistadas afirmaram sentir que não houve candidatos associados a suas igrejas nas últimas campanhas eleitorais, o que levanta questões sobre a representação política desse grupo. A valorização da participação política não se traduz necessariamente em uma politização dos púlpitos, revelando uma tensão presente no cenário atual.
Conservadorismo e a imagem de líderes
A pesquisa também destaca o conservadorismo que ainda permeia a esfera eleitoral entre as mulheres evangélicas. Os dados mostram que 80% das participantes que votaram em Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 mantiveram seu apoio nas eleições seguintes. Essa continuidade de apoio se estende à figura de Michelle Bolsonaro, que é amplamente vista como representação de valores como fé, família e maternidade.
Esses resultados desafiam a ideia de que as mulheres evangélicas formam um bloco homogêneo. As posições delas são moldadas não apenas pela religião, mas também por experiências relacionadas à família, segurança e participação social. Essa complexidade torna essencial a escuta ativa e o reconhecimento das vozes desse grupo em todas as suas diversidades.
Conclusão
A pesquisa do ISER apresenta uma nova perspectiva sobre as mulheres evangélicas no Brasil, evidenciando uma transformação nas percepções e atitudes em relação ao feminismo e aos direitos das mulheres. Embora a maioria ainda não se identifique como feminista, a disposição para discutir questões sociais e de gênero é um sinal de que mudanças estão ocorrendo. Esse estudo não apenas ilumina as intersecções entre fé e feminismo, mas também desafia estereótipos e abre um espaço para um diálogo mais profundo sobre a identidade das mulheres evangélicas na sociedade contemporânea.
Perguntas frequentes
O que a pesquisa do ISER revela sobre mulheres evangélicas e feminismo?
A pesquisa indica que 63% das mulheres evangélicas acreditam que é possível ser cristã e feminista, mas 70% não se identificam como feministas.
Como as mulheres evangélicas enxergam a desigualdade de gênero?
Cerca de 64% das entrevistadas reconhecem que as mulheres ainda possuem menos direitos que os homens na prática.
Qual a postura das mulheres evangélicas sobre o aborto?
57% apoiam a interrupção da gravidez nas situações previstas pela legislação, mas 71% votariam contra a ampliação do aborto.
Há uma relação entre fé e política para essas mulheres?
51,1% acreditam que religião e política podem coexistir, embora 64,4% sintam que não houve candidatos alinhados às suas igrejas nas últimas eleições.
Como as mulheres evangélicas veem o acolhimento nas igrejas?
67% defendem que mulheres que passaram por um aborto devem ser acolhidas e acompanhadas pelas comunidades de fé.
Última atualização: 5 de setembro de 2026.
Posicionamento Gospel News Brasil
A pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER) traz à tona um debate importante sobre a relação entre mulheres evangélicas e o feminismo. Observamos que, apesar de uma crescente aceitação de ideias feministas, a maioria ainda se mostra relutante em se identificar como feminista. Essa ambivalência reflete um desejo legítimo de buscar igualdade e direitos, sem, no entanto, abrir mão dos princípios cristãos que nos guiam. O Gospel News Brasil acredita que é possível conciliar a fé com a luta pela dignidade e os direitos das mulheres, sempre fundamentados em valores evangélicos.
A Bíblia nos ensina que todos somos criados à imagem de Deus, e isso inclui tanto homens quanto mulheres, que têm o mesmo valor e dignidade diante Dele. Ao refletir sobre a participação da mulher na sociedade, é fundamental lembrar que a busca por justiça e igualdade é uma extensão do amor cristão. Através da união entre fé e ação, podemos promover um mundo mais justo e inclusivo. “Mas, em tudo que fizerem, façam com amor.” – 1 Coríntios 16:14.
LEIA TAMBÉM EM NOSSO SITE:
- O que a Bíblia diz sobre os anjos? | Estudo Completo
- Templos de Esperança: Senami e CGADB Inauguram Novas Igrejas no Sertão do Piauí
- Uma transformação espiritual que une a família em fé e amor
FONTE PRINCIPAL: folhagospel.com
📖 Continue crescendo na Palavra de Deus
Se este estudo foi útil para você, não pare por aqui.
Todos os dias você pode receber um devocional personalizado, preparado de acordo com o momento que está vivendo, com reflexão bíblica, versículo e oração.
Fortaleça sua comunhão com Deus diariamente.


