A tragédia que atingiu a comunidade cristã em Peshawar, Paquistão, em 22 de setembro de 2013, deixou marcas profundas e cicatrizes que ainda não foram completamente curadas. Naquele dia fatídico, duas explosões suicidas devastaram a All Saints Church, localizada na região de Kohati Gate, resultando na morte de quase 100 pessoas e em mais de 200 feridos. Este ataque, reivindicado pelo grupo extremista Tehrik-e-Taliban Pakistan como uma retaliação aos ataques aéreos americanos, permanece como um dos episódios mais mortais da violência contra a comunidade cristã na história do país. O impacto foi devastador: famílias inteiras foram desfeitas, crianças perderam pais, irmãos foram separados e cônjuges ficaram para trás, deixando um rastro de dor e desolação.
Logo após o ataque, o então primeiro-ministro Nawaz Sharif anunciou a criação de um fundo de 200 milhões de rúpias paquistanesas, destinado especificamente à reabilitação das vítimas e sobreviventes da tragédia. No entanto, o que se seguiu foi uma série de desilusões. O dinheiro, que deveria ter sido uma tábua de salvação para as famílias enlutadas, foi transferido para a Autoridade Provincial de Gestão de Desastres (PDMA), onde permaneceu por quatro anos sem ser distribuído. A frustração tomou conta dos líderes da igreja e ativistas de direitos humanos, que decidiram apelar ao Supremo Tribunal. Após audiências judiciais, o tribunal ordenou que os fundos fossem transferidos para o Departamento de Auqaf, Hajj, Assuntos Religiosos e Minoritários, embora esta mudança tenha gerado críticas.
Os líderes cristãos expressaram sua indignação com a alteração, uma vez que o fundo de 200 milhões de rúpias foi criado para atender especificamente os sobreviventes do ataque à All Saints Church. A nova gestão dos fundos acabou por diluir a ajuda destinada a eles, incluindo todos os minoritários religiosos da província, o que foi considerado uma injustiça pelos ativistas. Mesmo após essa mudança, os recursos continuaram sem ser distribuídos durante anos.
Somente recentemente, após persistentes apelos de representantes da igreja e grupos de direitos humanos, o governo de Khyber Pakhtunkhwa (KP) fez um movimento significativo: o chefe do governo provincial decidiu dobrar o valor do fundo de 200 milhões para 400 milhões de rúpias. Entretanto, o fundo, ainda assim, permanece como um recurso geral para todas as minorias e não uma assistência específica para as vítimas da igreja.
Em maio de 2026, o governo provincial realizou uma cerimônia para distribuir os primeiros 37 cheques, que foram concedidos a 11 viúvas (2 milhões de rúpias cada), 24 órfãos (1,5 milhão de rúpias cada) e duas pessoas com deficiência (1 milhão de rúpias cada). Embora esse gesto tenha sido um passo adiante, a cerimônia foi marcada pela exclusão de sobreviventes que haviam sofrido ferimentos graves no ataque de 2013. Muitos desses indivíduos compareceram ao evento, mas voltaram para casa de mãos vazias. As autoridades justificaram a recusa alegando que os feridos estavam “totalmente recuperados”, o que ignora completamente a realidade de suas vidas.
Esses sobreviventes, que mal conseguiram escapar da morte, enfrentaram desafios imensos em decorrência de suas gravíssimas lesões. Muitos perderam suas fontes de renda e se endividaram para arcar com os altos custos dos tratamentos médicos. Algumas dessas pessoas agora vivem com próteses de metal ou possuem hastes metálicas inseridas em suas colunas. A recusa em compensá-los, após 13 anos de luta e sofrimento, representa uma falha sistêmica profunda. Eles podem não estar mais sangrando em uma mesa de cirurgia, mas carregam as marcas físicas da violência e o trauma emocional daquele dia terrível.
Com mais de uma década de injustiça acumulada, a esperança é que as autoridades finalmente reconheçam esse descaso. É fundamental que os sobreviventes sejam compensados por suas enormes perdas e que as famílias resilientes recebam a justiça que tanto merecem. O processo de distribuição dos recursos é lento, mas a expectativa é que as promessas feitas se concretizem, e que não apenas os mortos, mas também os vivos que sofreram por essa tragédia recebam o devido reconhecimento e apoio.
Posicionamento do Gospel News Brasil
O Gospel News Brasil se posiciona ao lado dos sobreviventes da tragédia da All Saints Church e de todas as vítimas de violência e opressão. Acreditamos na importância de trazer à luz essas histórias de dor e luta, para que nunca sejam esquecidas. É fundamental que haja justiça, não apenas na forma de compensação financeira, mas em um compromisso genuíno por parte das autoridades de proteger e apoiar as minorias religiosas no Paquistão e em todo o mundo. Continuaremos a acompanhar de perto esta situação e a apoiar aqueles que clamam por justiça e dignidade.
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FONTE PRINCIPAL: persecution.org

