Fulani Christians Reject

No coração da Nigéria, especialmente na região do Middle Belt, um grupo de líderes e convertidos Fulani cristãos está levantando a voz contra a violência e o preconceito que afetam suas comunidades. Em um contexto marcado por ataques de milícias armadas e uma crescente desconfiança pública em relação à sua identidade étnica, esses indivíduos buscam uma maior compreensão de que nem todos os Fulani estão envolvidos em atividades terroristas.

Buba Aliyu, líder da Fulbe Outreach International, expressou em uma entrevista à TruthNigeria a urgência desse apelo. “Queremos que as pessoas entendam que nem todo Fulani é um terrorista”, afirmou. “Existem Fulani professores, soldados, policiais e cristãos que vivem pacificamente.” A vida de Aliyu se tornou um alvo de ameaças devido às suas declarações públicas que buscam distanciar os Fulani cristãos de grupos armados e da Miyetti Allah Cattle Breeders Association of Nigeria, uma organização socioeconômica que, segundo alegações, está ligada a atos de terrorismo e assassinatos de agricultores cristãos. Vale ressaltar que o governo dos Estados Unidos já designou essa organização como um grupo terrorista.

Os Fulani, conhecidos também como Fulbe ou Fula, são um dos maiores grupos étnicos da África, com presença em diversas regiões da África Ocidental e Central. Na Nigéria, muitos Fulani são tradicionalmente pastores, embora haja aqueles que atuam nas áreas de educação, governo, negócios e segurança. A escalada de violência nos estados de Plateau, Benue e Kaduna, que inclui assassinatos, sequestros e invasões de vilarejos, intensificou as tensões entre as comunidades agrícolas e os grupos armados amplamente identificados como milícias Fulani.

De acordo com relatos de Fulani cristãos entrevistados pela International Christian Concern (ICC), essas investidas violentas também têm impactado as famílias pacíficas da etnia, que rejeitam a violência. Aliyu destacou que a Fulbe Outreach International conta atualmente com mais de 5.000 membros dedicados à evangelização entre as comunidades Fulani em toda a Nigéria e em partes da África Ocidental. Ele recentemente se afastou da liderança da Fulbe Christian Association in Nigeria para focar no trabalho missionário, visando a expansão da organização.

“Fulo” significa uma pessoa Fulani, enquanto “Fulbe” se refere a um grupo, o que simboliza a intenção de Aliyu de ampliar a presença e o reconhecimento dos Fulani cristãos. A partir de 1995, quando ele se converteu ao cristianismo, Aliyu começou sua missão em 1999, através de uma iniciativa chamada “Yad da Bishara”, que resultou em mais de 1.000 conversões ao longo dos anos. À medida que a insegurança se espalhava pelo norte da Nigéria e pelo Middle Belt, os Fulani cristãos começaram a se organizar para tornar sua presença mais visível. A inclusão do termo “Fulbe” na Associação Cristã da Nigéria foi uma estratégia para mostrar que existem cristãos entre os Fulani.

A missão de Aliyu combina evangelismo com ações humanitárias, que incluem a distribuição de alimentos, roupas, rádios e literatura cristã em diferentes idiomas como Fulfulde, Hausa, árabe e francês. Além disso, o grupo oferece suporte veterinário e médico às comunidades pastorais. No entanto, a missão enfrenta desafios significativos, operando com recursos limitados. “Precisamos de um escritório permanente, um veículo para alcançar áreas remotas, computadores, projetores, câmeras e mais trabalhadores dispostos a sacrificar-se por essa missão”, lamentou Aliyu.

Estima-se que existam cerca de 10 milhões de Fulani cristãos na Nigéria, dentro de uma população Fulani total que ultrapassa 17 milhões. Embora reconheça que alguns grupos armados que cometem ataques sejam Fulani, Aliyu enfatiza que generalizações amplas afetam muitas famílias pacíficas. “Aqueles que cometem terrorismo não representam nem um quarto de nós”, disse ele. “Existem muitos Fulani buscando a paz.”

Em Miango, ao noroeste de Jos, Dauda Isa conta que passou anos tentando convencer tanto cristãos quanto muçulmanos de que não deve ser julgado pelas ações das milícias armadas. Ele, um caçador e Fulani cristão, representa a luta de muitos em sua comunidade que desejam ser vistos como indivíduos e não como estereótipos.

Posicionamento do Gospel News Brasil

O Gospel News Brasil reafirma seu compromisso com a promoção da paz e do entendimento interétnico. É fundamental que as vozes dos Fulani cristãos, que buscam uma vida pacífica e produtiva, sejam ouvidas e reconhecidas. A violência e o preconceito não devem definir a identidade de um povo. É nosso desejo que a situação na Nigéria melhore, permitindo que todos vivam em harmonia, independentemente de sua origem étnica ou crença religiosa. A promoção do diálogo e da compreensão mútua é essencial para a construção de um futuro mais pacífico e inclusivo.

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FONTE PRINCIPAL: persecution.org

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