A situação de milhares de cristãos que buscam abrigo de perseguições no Paquistão se agrava. Recentemente, mais de 20 mil membros da comunidade cristã que vivem em assentamentos informais na capital, Islamabad, receberam ordens de despejo, colocando suas vidas em uma nova incerteza. As ordens foram emitidas pela Autoridade de Desenvolvimento da Capital (CDA), que ordenou verbalmente que os moradores desocupassem áreas como as colônias de Rimsha, Sharpar e Akram Gill. Essa medida alarmante chega em um momento em que essas famílias já enfrentam desafios imensos desde que foram forçadas a se mudar para essas áreas, em decorrência de uma grave onda de perseguição religiosa.
Essas colônias abrigam aproximadamente 25 mil pessoas, a maioria delas cristãos que trabalham em setores como saneamento básico, construção civil e como empregados domésticos. A ordem de despejo, que foi emitida no início de março de 2026, causou um clima de pânico entre os moradores, muitos dos quais já estão há mais de uma década na região. “Para onde iremos?”, questionou Anwar Masih, um dos moradores da Colônia Rimsha, em uma entrevista ao Christian Daily International. Ele expressou a angústia que permeia sua casa, com crianças pequenas que não conseguem dormir à noite devido à incerteza do futuro.
A história dessas colônias remonta a um caso de perseguição ocorrido em 2012, quando Rimsha Masih, uma adolescente cristã com deficiência mental, foi falsamente acusada de queimar páginas do Alcorão. Esse evento gerou uma onda de medo e tensão nos bairros cristãos, levando muitas famílias a fugir de suas casas em busca de segurança. O governo, reconhecendo a necessidade de proteger essas comunidades vulneráveis, inicialmente realocou os cristãos para as colônias de Rimsha, Sharpar e Akram Gill. O que se iniciou como um abrigo temporário acabou se tornando, ao longo dos anos, um lar para essas famílias.
Imran Shahzad Sahotra, um líder comunitário, descreveu como as tendas que antes serviam de abrigo foram gradualmente transformadas em lares permanentes, onde se formou uma comunidade coesa, com pequenas igrejas, escolas informais e organizações que oferecem suporte aos moradores. No entanto, a realidade é que esses assentamentos ainda carecem de serviços básicos, como acesso confiável à água potável, saneamento e cuidados de saúde.
Diante da ordem de despejo, os moradores iniciaram uma série de protestos e momentos de oração, clamando por justiça e proteção. Eles argumentam que a ação das autoridades é injusta, pois não há planos de realocação adequados. “Emitir diretrizes para que moradores das favelas desocupem a terra sem oferecer abrigos alternativos é uma grande injustiça”, criticou Sahotra. Ele ressaltou que a maioria dos moradores não tem condições financeiras de se mudar para outro local, além de enfrentar discriminação no mercado imobiliário paquistanês.
Os ativistas de direitos humanos também condenaram a ordem de despejo, afirmando que ela contraria a legislação paquistanesa. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP) emitiu um comunicado lembrando que essas famílias foram realocadas para essas áreas após o caso Rimsha, e agora enfrentam a ameaça de despejo. A HRCP destacou que os assentamentos informais em Islamabad estão protegidos por uma ordem de suspensão emitida pela Suprema Corte do Paquistão em 2015, que proíbe despejos sem uma alternativa adequada para os moradores.
A situação em Islamabad reflete uma realidade mais ampla enfrentada por muitos cristãos no Paquistão, que continuam a ser perseguidos e discriminados por sua fé. A luta desses moradores não é apenas por um teto sob o qual viver, mas pela dignidade e pelo direito de existir em um espaço seguro e acolhedor.
Posicionamento do Gospel News Brasil
O Gospel News Brasil manifesta sua preocupação com a crescente onda de perseguições e violação dos direitos humanos enfrentadas pela comunidade cristã no Paquistão. A história dos cristãos que vivem nos assentamentos de Rimsha, Sharpar e Akram Gill é um lembrete doloroso da necessidade de proteção das minorias religiosas em todo o mundo. Apelamos à comunidade internacional para que intervenha e promova políticas que garantam a segurança e os direitos dos cristãos e de outras minorias perseguidas. Nossa esperança é que todos possam viver em um ambiente de paz e respeito, independentemente de suas crenças.
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FONTE PRINCIPAL: guiame.com.br

