Recentemente, um relatório alarmante do Grupo de Especialistas em Direitos Humanos da ONU sobre a Nicarágua foi tornado público, revelando uma série de abusos sistemáticos cometidos pelo governo de Daniel Ortega. Este documento, publicado no início deste mês, lança luz sobre a repressão crescente contra civis, líderes religiosos, a mídia e organizações da sociedade civil no país centro-americano. O relatório é um chamado à atenção para a comunidade internacional sobre as graves violações dos direitos humanos que ocorrem sob o regime Ortega-Murillo, com algumas ações sendo classificadas como crimes contra a humanidade.
Os especialistas da ONU afirmam que o governo nicaraguense é responsável por “violações de direitos humanos sérias, sistemáticas e generalizadas”. Entre as preocupações expressas no relatório, destaca-se o aumento da repressão do governo, principalmente contra a Igreja Católica. Os autores do documento instam o regime a realizar reformas, incluindo a imediata cessação da perseguição a membros da Igreja Católica e de outras denominações cristãs, e a garantir o pleno respeito ao direito à liberdade religiosa.
Em uma demonstração clara de hostilidade, poucos dias após a divulgação do relatório, o governo nicaraguense proibiu a ordenação de sacerdotes católicos em várias dioceses, incluindo Jinotega, Siuna, Matagalpa e Estelí. Esses locais estão sem bispo residente devido à perseguição governamental. Na Diocese de Matagalpa, estima-se que cerca de 70% do clero tenha sido forçado ao exílio, simbolizando a pressão insustentável que a Igreja enfrenta atualmente.
A situação é ainda mais grave quando se observa que o Ministério do Interior da Nicarágua revogou o status legal de mais de 1.500 organizações da sociedade civil, muitas das quais têm vínculos com a Igreja Católica e organizações evangélicas. Em muitos casos, as autoridades confiscam propriedades e outros bens, processando os líderes dessas organizações com uma variedade de acusações legais. Desde 2019, o regime de Ortega tem mirado a Igreja Católica, especialmente após algumas congregações decidirem abrigar estudantes protestando contra a brutalidade policial. Essa ação foi vista como uma ameaça ao controle absoluto do presidente sobre o país, resultando em uma onda de desafios legais e na prisão ou exílio de muitos líderes religiosos.
A repressão não se limita apenas à Nicarágua; líderes religiosos em exílio enfrentam pressão contínua, com o governo Ortega ameaçando punir familiares, amigos e paroquianos que se manifestem em outros países. O mais recente relatório da ONU acrescenta que fundos públicos estão sendo desviados para financiar operações de repressão transnacional, revelando uma rede de controle e intimidação que se estende além das fronteiras nicaraguenses.
Em fevereiro de 2025, a Nicarágua se retirou do Conselho de Direitos Humanos da ONU, dias após a publicação de um relatório contundente que condenava a repressão sistemática aos direitos humanos e normas democráticas. Ariela Peralta, uma especialista que contribuiu para o relatório, destacou que “estamos vendo a repressão metódica de qualquer um que ouse desafiar o controle de Ortega e Murillo sobre o poder”. Para muitos, a situação na Nicarágua é uma guerra do governo contra seu próprio povo.
O regime de Ortega nega as acusações e denuncia a ONU e a Organização dos Estados Americanos como parte de uma campanha internacional de difamação. A vice-presidente Rosario Murillo desqualificou o relatório da ONU como “falsidades” e “calúnias”. No entanto, o Departamento de Estado dos EUA adicionou a Nicarágua à sua Lista de Vigilância Especial (SWL) em 2019, em reconhecimento às graves violações da liberdade religiosa. Essa designação foi elevada em 2022, colocando o país na lista de “Países de Preocupação Particular” (CPC), o que normalmente implica consequências legislativas e sanções.
Além disso, uma publicação do Departamento de Estado dos EUA revelou que o clero católico e os leigos continuam a enfrentar assédio governamental, incluindo calúnias, investigações arbitrárias por agências governamentais e a negação de serviços religiosos a prisioneiros políticos. A Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) também começou a incluir a Nicarágua em seus relatórios, enfatizando a necessidade urgente de ação internacional.
Posicionamento do Gospel News Brasil
O Gospel News Brasil acompanha com preocupação a situação dos direitos humanos na Nicarágua e a perseguição sofrida por líderes e membros da Igreja Católica e de outras denominações cristãs. É imperativo que a comunidade internacional se posicione em defesa da liberdade religiosa e dos direitos fundamentais, condenando as ações do regime Ortega-Murillo. Acreditamos que a dignidade humana e a liberdade religiosa são pilares essenciais de qualquer sociedade justa e democrática. Que possamos orar pela Nicarágua e por todos que lutam por justiça e liberdade em face da opressão.
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FONTE PRINCIPAL: persecution.org

