Nos últimos dias, o país caribenho tem sido palco de intensos protestos devido à escassez alarmante de alimentos e à falta crônica de energia elétrica. De acordo com a Missão Portas Abertas Brasil, esses protestos já duram mais de três semanas, refletindo a profunda insatisfação da população com as condições de vida cada vez mais insustentáveis. Na capital Havana, os moradores se uniram em um “panelaço” na última segunda-feira, dia 16, um protesto simbólico contra os apagões que têm deixado cerca de 10 milhões de cubanos no escuro. Gregorio, um pastor local, compartilhou que o barulho das panelas ecoa como um grito de desespero e resistência.
A situação é crítica: muitos cubanos têm acesso a apenas duas horas de eletricidade por dia. Em áreas fora da capital, os apagões podem durar até 24 horas, afetando diretamente 60% da população. Essa realidade é uma consequência de anos de gestão ineficaz e de uma economia debilitada, que se agravou com a pandemia de COVID-19 e as sanções internacionais. O resultado é uma deterioração das condições de vida em todas as esferas, afetando não apenas a economia, mas também a saúde e a segurança da população.
A crise energética é apenas a ponta do iceberg. O abastecimento de alimentos, que já era escasso, se tornou ainda mais crítico, com preços exorbitantes que tornam a compra de itens básicos uma tarefa quase impossível. Luis, outro pastor atuante nas comunidades necessitadas, relatou que os preços dos ovos já superam o valor de um salário mensal, uma situação absurda para um país onde a maioria das pessoas vive com recursos limitados. A escassez de combustível, por sua vez, impossibilita a produção e o transporte de alimentos, levando muitos cubanos a passar fome. As histórias de famílias indo dormir sem jantar e crianças deixando de ir à escola por causa da fome são cada vez mais comuns.
A situação nas igrejas também é alarmante. A falta de energia não só prejudica a realização dos cultos, mas também coloca as congregações em risco. Sem eletricidade, as igrejas se tornam alvos fáceis para ladrões, forçando muitas a suspender os cultos noturnos e a implementar vigilâncias. Apesar das dificuldades, as igrejas têm se esforçado para ajudar os necessitados, ainda que suas próprias condições sejam precárias. Gregorio compartilhou que, mesmo exaustos, têm acordado às três da manhã para preparar refeições para aqueles que não têm o que comer. Essa chamada para servir, mesmo em meio ao sofrimento, é um testemunho da fé resiliente que muitos cristãos em Cuba mantêm.
A crise energética também está ligada à falta de água, já que aproximadamente 80% do sistema de abastecimento de água do país depende da eletricidade. Essa situação é tão grave que até hospitais estão enfrentando a falta de água, complicando ainda mais a vida de uma população já debilitada. Luis reiterou que “dias sem água ou energia tornam a vida quase impossível”, ressaltando que pessoas estão morrendo devido à falta de medicamentos e suprimentos básicos.
Laura, uma integrante da equipe da Portas Abertas em Cuba, descreveu a realidade caótica em que o país se encontra. Os apagões frequentes dificultam a comunicação e a resposta a emergências, e a verdadeira extensão da crise só será compreendida quando a energia for restaurada. Essa incerteza paira sobre a sociedade cubana, deixando muitos sem esperança.
Em um contexto onde cerca de 85% da população se identifica como cristã, a situação é ainda mais complicada. A maioria é católica e aproximadamente 11% pertencem a denominações evangélicas. Os cristãos em Cuba enfrentam não apenas os desafios da escassez de recursos, mas também uma repressão sistemática. As autoridades permitem a realização de cultos, mas novas igrejas não podem ser abertas, e muitos enfrentam detenções arbitrárias e assédio por parte do governo. Essa repressão tem levado muitos a buscar refúgio espiritual em comunidades clandestinas, onde podem worship sem medo de represálias.
O que se observa em Cuba é um exemplo gritante de como crises econômicas e políticas podem afetar a vida espiritual e cotidiana de um povo. É um lembrete de que a fé muitas vezes floresce nas circunstâncias mais adversas, mas também levanta questões sobre a responsabilidade de países e organizações internacionais em ajudar aqueles que sofrem em silêncio.
No Brasil, onde a liberdade religiosa é um direito garantido, é fundamental que os cristãos estejam atentos à situação em Cuba. A solidariedade pode se manifestar de várias formas, seja através de orações, doações ou mesmo levantando a voz para que a comunidade internacional não se esqueça dos cubanos que lutam diariamente por dignidade e justiça. A luta do povo cubano não é apenas uma luta por recursos, mas uma luta por esperança e um futuro melhor, e a igreja deve ser um farol nesse processo, refletindo a luz de Cristo em meio à escuridão.
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