Pregador é ordenado

Em um intrigante e preocupante episódio que destaca as crescentes restrições à liberdade religiosa na China, um pregador cristão da província de Yunnan, localizada no sudoeste do país, recebeu uma ordem das autoridades locais para interromper suas reuniões de oração que ocorriam pela plataforma Zoom. Esse incidente, que ocorreu no dia 3 de junho de 2026, levanta questões cruciais sobre a liberdade de culto e a proteção dos direitos humanos em um ambiente onde a vigilância estatal se intensifica.

Chang Hao, o pregador em questão, foi visitado em sua residência por sete representantes do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos, acompanhados de outras autoridades locais. Durante essa visita, os agentes entregaram um aviso formal, exigindo que ele cessasse imediatamente suas atividades de oração online, que incluíam estudos bíblicos e momentos de oração com cristãos de diversas partes da China. As autoridades alegaram que as reuniões eram ilegais, uma vez que violavam os Regulamentos da China sobre Assuntos Religiosos, especificamente no que tange ao ensino da doutrina cristã e à organização de encontros religiosos.

De acordo com relatos da organização cristã China Aid, o documento apresentado durante a visita não só pedia a interrupção das reuniões, mas também advertia sobre possíveis punições administrativas e até investigações criminais em caso de desobediência. Os agentes de segurança apresentaram, inclusive, capturas de tela de uma das reuniões, que fazia parte da iniciativa “17h na China – Reunião de Oração do Reino”, uma rede que se dedica a reunir cristãos diariamente para orar por irmãos e irmãs na fé que estão presos ou detidos por motivos religiosos.

Durante a abordagem, Chang documentou a ocorrência, registrando fotos e vídeos, enquanto os agentes filmavam toda a conversa. A situação se agravou no dia seguinte, quando ele percebeu que sua conta no WeChat, popular plataforma de comunicação na China, havia sido restrita. Em resposta à ação dos órgãos governamentais, Chang manifestou sua indignação, afirmando que “fé não é um crime”. Ele argumentou que sua crença não infringe a Constituição da República Popular da China ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para ele, qualquer norma que contrarie esses princípios constitucionais e o direito internacional deve ser considerada injusta, e como tal, os cidadãos têm o direito de se recusar a cumpri-la.

A trajetória de Chang não é simples. Ele já enfrentou uma série de desafios devido à sua fé e ao seu ativismo por liberdade religiosa. Conhecido por defender os direitos de grupos vulneráveis, ele possui deficiências físicas e psicológicas que não o impediram de lutar por um espaço religioso mais aberto e inclusivo. Em abril de 2023, Chang foi detido após fazer comentários online sobre liberdade religiosa e assuntos públicos, culminando em uma condenação à prisão de um ano e dois meses. Durante esse período, sua saúde deteriorou-se significativamente, mas ele conseguiu retomar seu ministério em junho de 2024, promovendo tanto atividades evangelísticas presenciais quanto online.

O recente aviso para cessar as reuniões de oração online sugere que as autoridades estão atentas e continuam a monitorar as atividades de Chang. A China Aid, assim como diversas organizações cristãs e de direitos humanos, estão acompanhando de perto o desenrolar deste caso, expressando preocupação sobre possíveis novas restrições ou ações legais contra os participantes da rede de oração. Este episódio não só ilustra o cenário atual da liberdade religiosa na China, mas também serve como um alerta sobre as lutas que muitos cristãos enfrentam diariamente em busca de liberdade de culto e expressão.

Posicionamento do Gospel News Brasil

O Gospel News Brasil reafirma seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos em todo o mundo. A situação enfrentada por Chang Hao é um reflexo de um contexto mais amplo de repressão religiosa que muitos enfrentam, especialmente em regimes autoritários. Acreditamos que a liberdade de crença é um direito fundamental que deve ser garantido a todos os indivíduos, independentemente de sua fé. Continuaremos a informar e apoiar as vozes daqueles que lutam por seus direitos e pela liberdade de adorar em paz.

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FONTE PRINCIPAL: guiame.com.br

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