Câmara amplia imunidade

A recente aprovação na Câmara dos Deputados de uma proposta que promete impactar significativamente o setor religioso no Brasil tem gerado discussões acaloradas. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 5/2003, que visa ampliar a imunidade tributária das igrejas, foi aprovada em dois turnos no dia 28 de maio de 2026, trazendo à tona questões sobre a relação entre o Estado e as entidades religiosas.

A proposta, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), altera o artigo 150 da Constituição, que atualmente garante imunidade tributária apenas ao patrimônio e à renda das igrejas. Com a nova emenda, o objetivo é estender essa imunidade para toda a cadeia de consumo das entidades religiosas, ou seja, permitindo que as igrejas não paguem impostos sobre a aquisição de bens e serviços essenciais para suas atividades. “Na prática, a imunidade tributária das igrejas não alcança o consumo, mas apenas renda e patrimônio. A compra de itens como um microfone, por exemplo, está ligada à atividade da igreja. O que queremos é que a imunidade prevista na Constituição seja aplicada integralmente”, explicou Crivella, que também é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Entre os impostos que a PEC busca isentar estão o ICMS, ISS, IPI, IOF e ITBI, especialmente sobre materiais de construção adquiridos por igrejas, além de creches, asilos e comunidades terapêuticas mantidas por confissões religiosas. Tal medida, segundo os defensores da proposta, permitirá que essas instituições religiosas destinam mais recursos para suas atividades sociais, ao invés de gastar com tributos.

A aprovação da PEC foi robusta nos dois turnos: no primeiro, 385 deputados votaram a favor, 93 contra e houve sete abstenções. No segundo turno, os números foram ligeiramente diferentes, mas ainda assim expressivos, com 368 votos a favor, 96 contrários e sete abstenções. A próxima etapa da proposta é a análise no Senado Federal, onde o texto poderá sofrer alterações ou até mesmo ser rejeitado.

Contudo, a medida não ficou isenta de críticas. Bancadas de partidos como PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede se manifestaram contra a PEC, argumentando que ela cria privilégios e não apresenta mecanismos adequados de fiscalização e transparência. Para esses parlamentares, a ampliação da imunidade tributária poderia levar a um desvio de verbas que, em outros contextos, poderiam ser utilizados para serviços públicos essenciais. A preocupação com a falta de supervisão sobre o uso dos recursos por entidades religiosas também foi um ponto destacado, dado que uma maior isenção tributária pode resultar em menos responsabilidade fiscal.

Essa discussão sobre a imunidade tributária das igrejas não é nova no Brasil. A relação entre religião e política sempre foi um tema delicado e controverso, especialmente em uma sociedade marcada pela diversidade religiosa. Enquanto muitos acreditam que a isenção de impostos permitirá que as igrejas realizem um trabalho social mais abrangente, outros enxergam isso como uma forma de favorecer instituições religiosas em detrimento de outros setores da sociedade que também necessitam de recursos.

Diante desse cenário, a aprovação da PEC nº 5/2003 pela Câmara dos Deputados representa mais do que uma simples mudança legislativa; ela sinaliza uma mudança na maneira como o Estado brasileiro se relaciona com as entidades religiosas. A partir de agora, a expectativa é que o Senado Federal avalie os impactos dessa proposta, levando em consideração tanto os benefícios esperados quanto as críticas e preocupações levantadas.

Posicionamento do Gospel News Brasil

O Gospel News Brasil entende que a aprovação da PEC nº 5/2003 representa um importante passo para a ampliação da atuação das entidades religiosas no Brasil. Acreditamos que, ao oferecer mais liberdade financeira, as igrejas poderão realizar um trabalho ainda mais expressivo em suas comunidades, promovendo ações sociais e contribuindo para o bem-estar da sociedade. No entanto, também reconhecemos a importância de que haja mecanismos de fiscalização e transparência que garantam que os recursos sejam utilizados de maneira responsável e em prol do bem comum. A relação entre o Estado e as entidades religiosas deve ser pautada pela ética, pelo respeito mútuo e pela responsabilidade social.

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FONTE PRINCIPAL: www.cpadnews.com.br

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