Nos Gideões pastora

A violência doméstica é um tema que, por muito tempo, foi tratado com silêncio e omissão, especialmente em contextos religiosos. No último sábado, a pastora Helena Raquel fez um chamado poderoso durante sua ministração no 41º Congresso dos Gideões, realizado em Camboriú, Santa Catarina, onde convocou mulheres a deixarem de lado a oração passiva e tomarem uma atitude ativa: denunciar seus agressores. Sua declaração ressoou fortemente nas redes sociais, gerando um amplo debate sobre o papel da Igreja no combate à violência doméstica e a necessidade de quebrar o ciclo de silêncio que muitas vezes envolve essas situações.

Baseando-se na passagem bíblica de Juízes 19, que narra a brutalidade enfrentada por uma mulher, a pastora refletiu sobre como o desejo de evitar “escândalos” tem levando igrejas a desencorajar vítimas de denunciarem seus agressores. Ela destacou o versículo 30, que diz: “Todos os que viram isso disseram: ― Nunca se viu nem se fez uma coisa dessa desde o dia em que os israelitas saíram do Egito. Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!”. Esses versos serviram como um forte alerta sobre a necessidade de ação diante da violência.

Com 47 anos e crescendo em um lar cristão, Helena compartilhou sua vivência e a realidade enfrentada por muitas mulheres que são vítimas de abuso. Segundo ela, é comum ouvir conselhos que incentivam a oração como única resposta: “Ore para Jesus salvar”. No entanto, ela fez um apelo contundente: “Pare de orar por ele hoje. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar tua vida da morte”. Esta frase, proferida na ministração, deixou claro que a pastora acredita que a oração não deve ser uma forma de acomodação em situações de violência.

“Comece a orar por você, a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. E, por último, não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata; saia daí”, continuou Helena, reforçando a urgência de ações concretas em vez de esperar por transformações que podem nunca ocorrer.

A ministração não se limitou a um apelo às vítimas, mas também se estendeu aos pais. A pastora orientou os pais das vítimas a não se deixarem levar por discursos que glorificam agressores sob a alegação de que são “ungidos”. “Pai, mãe, ele não é ungido! Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso; pedófilo não é ungido”, declarou a pastora, exortando os pais a se levantarem e denunciarem abusadores, em vez de permanecerem em um ambiente que ignora a dor e o sofrimento de seus filhos.

Helena deixou claro que não é possível conciliar a figura de um pastor e a de um abusador. “Ou é pastor, ou é abusador. Saia daí agora”, afirmou, enfatizando a necessidade de proteger as vítimas e confrontar o pecado, ao invés de silenciá-lo. Em suas redes sociais, a pastora continuou a mensagem, ressaltando que a omissão da Igreja em lidar com esses casos é inaceitável. “Não existe unção que justifique abuso. Não existe chamado que autorize agressão. Se agride, não representa Deus. Ungido não é abusador”, disse Helena, ressaltando a importância de enfrentar esses problemas com coragem e determinação.

O impacto das palavras da pastora Helena Raquel não pode ser subestimado, e sua mensagem é um convite à reflexão e à ação. Como sociedade e como Igreja, é fundamental apoiar e acolher as vítimas de violência, oferecendo não apenas palavras de conforto, mas também um caminho para a denúncia e a recuperação. A mudança começa com a coragem de enfrentar essas realidades e a determinação de criar um ambiente onde todas as pessoas possam se sentir seguras e protegidas.

Posicionamento do Gospel News Brasil

O Gospel News Brasil se posiciona firmemente contra a violência doméstica e a favor de um ambiente de acolhimento e proteção para todas as vítimas. Acreditamos que a Igreja deve ser um espaço seguro, onde se possa falar abertamente sobre abusos e buscar ajuda sem medo de represálias. As palavras da pastora Helena Raquel são um lembrete poderoso de que, em um contexto de fé, o amor e o cuidado devem prevalecer sobre o silêncio e a omissão. Precisamos unir esforços para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e que as vítimas recebam o apoio necessário para reconstruir suas vidas.

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FONTE PRINCIPAL: guiame.com.br

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