A história do cristianismo no Levante e nas terras bíblicas é uma narrativa de resistência e sangue. No entanto, um capítulo frequentemente negligenciado nessa tragédia é a perseguição específica sofrida pelas mulheres. Atualmente, os cristãos no Oriente Médio enfrentam uma crise de sobrevivência, mas para as mulheres, o custo de seguir a Jesus Cristo envolve perigos que vão muito além da exclusão social, atingindo a integridade física, a liberdade e a dignidade humana de forma devastadora.
Desde os tempos de Tecla de Icônio e Febrônia de Nísibis, as mulheres têm sido pilares na transmissão da fé. Hoje, as descendentes dessas santas carregam uma cruz moderna moldada por deslocamentos forçados, violência sexual, sequestros e casamentos coercitivos. Em países onde a sharia ou grupos extremistas ditam as normas, a identidade feminina combinada com a fé cristã cria um cenário de vulnerabilidade extrema que exige a atenção da igreja global.

A Marginalização Sistemática e o Controle Social
Viver como um dos cristãos no Oriente Médio significa, muitas vezes, habitar a periferia da sociedade. No Egito, por exemplo, mulheres cristãs enfrentam barreiras intransponíveis no acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. Essa marginalização não é apenas econômica; é uma estratégia de silenciamento. Muitas encontram esperança em programas de alfabetização, como os apoiados pela Barnabas Aid, onde descobrem seu valor através da Bíblia. “Aprendi a viver e amar com base no que a Bíblia ensina”, afirma Maria, uma cristã egípcia que encontrou na fé a força para resistir à exclusão.
No Iraque e na Síria, a situação é ainda mais sombria. A ascensão de grupos como o Estado Islâmico transformou a vida dos cristãos no Oriente Médio em um pesadelo de sequestros e escravidão. Entre 2014 e 2017, centenas de meninas cristãs foram raptadas em Mossul e nas Planícies de Nínive, forçadas a casamentos com militantes e submetidas a abusos indescritíveis. Mesmo com a queda territorial desses grupos, as cicatrizes permanecem, e o medo de novos raptos continua a assombrar as aldeias cristãs que tentam se reconstruir.
Sequestro e Conversão Forçada: Armas de Guerra Religiosa
O sequestro de mulheres cristãs é utilizado como um instrumento de controle e humilhação contra as comunidades de cristãos no Oriente Médio. Quando uma mulher é levada e forçada a um casamento islâmico, a ferida atinge toda a estrutura familiar e comunitária. Essas mulheres perdem o direito de praticar sua fé, de educar seus filhos no caminho do Evangelho e, muitas vezes, são impedidas de manter contato com seus parentes cristãos.
Este padrão de abuso não se limita às fronteiras árabes. No Paquistão, vizinho à região, o rapto de meninas cristãs para conversão forçada é uma realidade diária que as autoridades muitas vezes ignoram. A falta de proteção jurídica para as minorias faz com que os cristãos no Oriente Médio e arredores vivam em um estado de alerta constante, onde a fé em Cristo pode significar a perda da própria família em um piscar de olhos.
A Fé Secreta e a Resistência das Convertidas
Um dos grupos mais perseguidos entre os cristãos no Oriente Médio são as mulheres que se convertem do Islã para o Cristianismo. Em países como Irã e Arábia Saudita, a apostasia é um crime que pode levar à morte ou ao ostracismo total. Essas mulheres vivem jornadas secretas, participando de “igrejas domésticas” e trocando mensagens codificadas para manter a comunhão.
Apesar do risco de prisão e tortura, essas irmãs permanecem firmes. Elas assumem papéis vitais no discipulado de novos crentes, nutrindo a fé de outros em contextos onde a visibilidade é sinônimo de perigo. Elas personificam a verdade de Apocalipse 12:11, vencendo “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”, transformando o sofrimento em um farol de esperança para a Igreja Perseguida.
O Futuro dos Cristãos no Oriente Médio e a Resposta Brasileira
A realidade das mulheres cristãs em Manipur (Índia), na África Subsaariana ou no Oriente Médio, revela que o ódio religioso é uma força global que tenta silenciar o Evangelho. Ao acompanharmos os embates sobre a liberdade religiosa nos Estados Unidos e as parcerias de ajuda aos cristãos perseguidos, percebemos que a pressão internacional é fundamental.
A igreja brasileira precisa se levantar em intercessão e apoio prático. O sofrimento dessas mulheres não é apenas uma estatística; é o grito de nossas irmãs em Cristo. A paz para os cristãos no Oriente Médio ainda parece distante no horizonte político, mas espiritualmente, o testemunho dessas mulheres está fortalecendo a igreja de uma forma que o extremismo jamais poderá destruir.
Conclusão: Um Chamado à Intercessão
O Gospel News Brasil convoca seus leitores a orar pelas mulheres que hoje carregam a cruz em silêncio. Que as histórias de Tecla, Febrônia e de tantas “Marias” modernas nos inspirem a valorizar nossa liberdade e a lutar pelos direitos dos cristãos no Oriente Médio. Continuaremos sendo a voz daqueles que o mundo tenta calar.
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Fonte Original: Barnabas Aid Redação: Gospel News Brasil


